Archive for the ‘Portuguese Language’ Category

Fotos: Al Di Meola e Gonzalo Rubalcaba na Aula Magna – Fotos: Rui M. Leal

Digressão conjunta do guitarrista norte-americano e do pianista cubano passou por Lisboa

Por: Redacção/ JCS | 2012-12-12 17:12

A Aula Magna, em Lisboa, recebeu na terça-feira Al Di Meola e Gonzalo Rubalcaba. O guitarrista norte-americano e o pianista cubano protagonizaram uma noite de jazz num concerto inserido na digressão europeia da dupla.

Com uma carreira com mais de 30 anos, Di Meola é um dos mais conhecidos guitarristas de jazz moderno e jazz latino, e um virtuoso da guitarra elétrica e da guitarra acústica.

Nascido no seio de uma família de músicos em Havana, Rubalcaba venceu dois prémios Grammy pelo trabalho com o contrabaixista Charlie Haden nos álbuns «Nocturne» (2001) e «Land of the Sun» (2004).

Di Meola – Rubalcaba – Lisboa Guia Dacidade

Di Meola – Rubalcaba – Lisboa Guia Dacidade

Onde

Aula Magna
Alameda Universidade MB, 2715-311 Lisbon, Portugal
GPS: N 38º 45′ 9.14” ,W 9º 9′ 31.28” (Ver Mapa)

Al Di Meola é um dos mais aclamados guitarristas e compositores de jazz. Com uma carreira de mais de três décadas e uma base de admiradores espalhada por todo o Mundo, o músico norte-americano é constantemente referido como um dos guitarristas mais influentes de sempre.
Nascido há 47 anos em Havana no seio de uma família de músicos, Gonzalo Rubalcaba absorveu a cultura pós-revolução que se estava a viver, assim como a cultura folk e tradicional cubana. Essas influências, assim como o jazz e os grandes compositores clássicos, foram a base da sua formação como pianista e compositor.
A actuação destes dois músicos no mesmo palco será certamente um dos acontecimentos musicais do ano.
11 de Dezembro 20h30

 

Festival de Jazz traz a Luanda elenco de luxo- Jerónimo Belo- Crítico de Jazz / Divulgador – 10 de Julho, 2011

Festival de Jazz traz a Luanda elenco de luxo

 

Depois de alguma ansiedade, o povo do jazz já sabe quais são as estrelas que vão brilhar nas noites luandenses nos dias 29, 30 e 31 de Julho durante o mais ambicioso Festival de Jazz organizado no país.
Num dos espaços mais simpáticos da Ilha de Luanda, a direcção do Luanda International Jazz Festival realizou na passada terça-feira uma conferência de imprensa com uma organização irrepreensível, para anunciar, em clima de maré alta, os nomes dos músicos, cantores e bandas confirmados para esta terceira edição.
A Banda Maravilha, Emanuel Kanda e Kizua Gourgel, os guitarristas Yami e Simons Massini são os representantes de Angola. A cantora Mayra Andrade, de Cabo Verde, o senegalês Ismael Lo e o músico/cantor português Rui Veloso são igualmente presenças confirmadas. Da África do Sul há que destacar alguns nomes e agrupamentos sonantes: Liquideep, Black Cofee, Jonathan Butler e a incontornável Sibongile Khumalo.
O saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça e a cantora italiana Roberta Gambarini também vão fazer ouvir as suas vozes no Atlântico.
De Cuba, onde desde os anos 40 do século passado o Jazz e as músicas latino-americanas vivem um intenso e frutífero relacionamento musical vem o genial pianista Gonzalo Rubalcaba, para realçar a mais sólida formação de Jazz desde sempre – o trio (piano, contrabaixo e bateria). Não precisam de ninguém e toda a gente necessita deles, como disse exemplarmente o poeta francês Jean Wagner. A arte do trio.
O modelo criado em 1939 pelos Swingsters de Nat King Cole com o guitarrista Oscar Moore e o contrabaixista Wesley Prince e as fórmulas sugeridas por Ahmad Jamal e Bill Evans nos anos 50 para trios de piano, contrabaixo e bateria e seguidas por muitos pianistas de renome (Oscar Peterson, Errol Garner, Thelonius Monk, Phineas Newborn Jr., Red Garland, Bud Powell, entre outros) estão longe de estar esgotados. O inquieto e inventivo pianista cubano Gonzalo Rubalcaba, que se tem multiplicado em vários projectos como líder ou acompanhante, sendo já um nome incontornável do grande Jazz da actualidade, vai seguramente proporcionar-nos momentos encantadores com a sua arte.  A sua presença em Luanda vai certamente confirmar a completa transformação operada, ao longo dos últimos anos, no seu estilo pessoal, de início muito subjugado pelo virtuosismo impressionante de que fazia alarde no início da sua carreira.
Agora, depois dos seus concertos a que tive o privilégio de assistir nos Estados Unidos no Montrey Jazz Festival, com Dave Holland (contrabaixo), Chris Potter (sax tenor) e Eric Harland (bateria) em 2007 e mais recentemente em Portugal, no Guimarães Jazz, Gonzalito, como é carinhosamente chamado pelos seus compatriotas, está muito mais contido, incomparavelmente mais “musical” e menos tecnicista nas suas divagações improvisadas, para além de se confirmar como um compositor inspirado, de mão cheia, e um arranjador completo e brilhante, dando-nos a ouvir um neo-bop alatinado, ameríndio, muito estimulante.

Representante importante da absorvente corrente afro-cubana do Jazz actual, Rubalcaba e seus companheiros afastam-se dos exotismos em que muitos músicos por vezes caem, propondo-nos um jazz vibrante, de extrema seriedade e, ao mesmo tempo, caloroso e emotivo. Os Estados Unidos, onde o Jazz nasceu entre finais do século XIX e inícios do século XX, têm como representantes o grupo Spyro Gyra, que pratica um Jazz que Miles iniciou na década de 60, o chamado jazz fusion, explorando novas sonoridades, novas estruturas semânticas, cruzando caminhos com o rock e certa pop-music de vangurda. Uma música iluminada, cheia de cintilações rápidas, dinâmicas e fulgurantes.
E para além da encantadora Dee Dee Bridgewater, que provavelmente nos vai brindar com o seu mais recente projecto, dedicado à inesquecível Billie Holiday (“To Billie with Love”), na medida em que vem acompanhada do pianista Edsel Gomez, um grande músico que há muitos anos acompanha a cantora noutros projectos, excelente arranjador e o responsável pela direcção musical deste projecto dedicado a Billie, vamos ter ainda a presença de Macy Gray e do trompetista Roy Hargrove, que pertence à geração de músicos pós-Winton Marsalis, que aproveitou a onda do revivalismo do Bop e as credenciais de grande tecnicista para iniciar uma carreira de sucesso. Hargrove tem gravado algumas experiências no âmbito do chamado Jazz latino e, à semelhança de outros “jazzmen” da sua geração, enveredou por explorações rítmicas mais próximas da juventude afro-americana: o soul jazz, o hip-hop e outos, no seu projecto eléctrico RH Factor. Roy Hargrove, que vai tocar em quinteto, vai brindar-nos ainda com a frescura e amplitude de uma voz feminina convidada – a italiana Roberta Gambarini, uma das mais talentosas cantoras europeias do momento.

 

Gonzalo Rubalcaba, Joao Bosco, Ivan Lins, Ignacio Berroa

Incompatibilidade De Gênios – Ivan Lins, Gonzalo Rubalcaba e João Bosco

Ignacio Berroa “Codes” Blog Do Noblat Brasilia, 14 Janeiro de 2011

Codes – Ignácio Beroa

Nascido em Havana – Cuba, Ignácio Beroa seguiu o mesmo caminho de grandes músicos como Tito Puentes, Arturo Sandoval, Paquito de Rivera, Gonzalo Rubalcaba e Horácio Hernandes, que se mudaram para a América em busca de melhores oportunidades, contribuindo, dessa forma, para essa deliciosa mistura que se faz entre a música cubana, ritmos afro, o jazz tradicional e o fusion.

Em Matrix, elementos rítmicos da santeria, culto afro cubano são mesclados a um solo espetacular de Beroa, que lembra o virtuosismo de Dave Weckl, Antonio Sanches, Horácio El Negro Hernandes e os novos bateristas que vêm mantendo essa linhagem de músicos performáticos de qualidade.

Na faixa Woody N’You, ouvimos outro grande exemplo dessa mistura que depois descamba para um belo improviso de piano de Gonzalo e do saxofonista David Sanches, em um jazz tradicional seguido do complexo solo de Beroa. Ele retorna ao início do tema mesclando a bateria às percussões afro cubanas de Giovanni Hidalgo, tocando convenções quase inimagináveis.

No repertório do álbum Codes ainda constam dois grandes clássicos da música brasileira: Partido Alto, do longevo grupo Azimuth, e Inútil Paisagem, do mestre Antonio Carlos Brasileiro Jobim e Aloysio de Oliveira, provando que a música brasileira tem o seu lugar de destaque entre os nomes de peso da música instrumental.

Os músicos cubanos ocuparam um merecido espaço no mercado mundial de shows e gravações ao nos mostrar, além de técnica impecável no domínio dos seus instrumentos, que tudo é possível em matéria de música.

Imperdível.

Gonzalo Rubalcaba é dotado de uma técnica prodigiosa, com uma profunda imersão e conhecimento do jazz, com fortes raízes na nuance rítmica Afro-Cubana (Revista Downbeat).

Gonzalo Rubalcaba Quinteto

Gonzalo Rubalcaba é dotado de uma técnica prodigiosa, com uma profunda imersão e conhecimento do jazz, com fortes raízes na nuance rítmica Afro-Cubana (Revista Downbeat).

Gonzalo Rubalcaba Quinteto

19/11/2010

Virtuoso pianista, Gonzalo Rubalcaba é um músico que desenvolve uma linguagem musical com uma componente fortemente rítmica e influenciada pelas sonoridades da América Latina, assumindo o piano, na sua dimensão quase percussiva, uma influência na criação de uma dinâmica que sobrevive através de um conhecimento aprofundado das potencialidades do instrumento.

Depois de ter estado na quinta edição do Guimarães Jazz, em 1996, o pianista, vencedor de dois Grammys, repete a sua presença no festival.

Será interessante sentir as diferenças entre este concerto e aquele a que pudemos assistir há catorze anos atrás, percebendo que a evolução deste músico é de certa forma também uma manifestação visível da evolução do próprio festival.

Para ver no palco do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, dia 19 de Novembro.

João Bosco e Gonzalo Rubalcaba: música e alegria (foto: www.puntolatino.ch)

João Bosco e Gonzalo Rubalcaba: música e alegria (foto: www.puntolatino.ch) (www.puntolatino.ch)

Cuba e Brasil nas mãos de Gonzalo Rubalcaba e João Bosco

Músicas brasileiras com um toque cubano. E músicas cubanas com um toque brasileiro. Assim é o show de dois grandes músicos: Gonzalo Rubalcaba e João Bosco, que acabam de passar pela Suíça.

“É um encontro porque as culturas se fundem, mas não se sobrepõem”, define João Bosco. Nas apresentações que fazem pela Europa, eles reservaram dois dias à Suíça – Basiléia e Zurique. Até dia 12 de novembro, passarão por Espanha, Portugal, Áustria e Alemanha.

Homenagem a Moacir Santos

De acordo com o músico brasileiro, os dois são exigentes e querem gravar um repertório capaz de mostrar a musicalidade dos dois países – não apenas selecionar algumas composições. “Acho que no próximo ano poderemos produzir um disco com esse trabalho”, diz o pianista Gonzalo Rubalcaba.
A segunda música do show foi uma espécie de homenagem ao maestro pernambucano Moacir Santos, falecido recentemente, com a apresentação de April Child. “Queria muito que estivesse vivo para que ouvisse essa interpretação”, explica João Bosco. Para ele, os dois puderam brincar com as divisões rítmicas insólitas criadas por Santos. “Foi um maestro negro, escreveu como arranjador negro e compositor negro. Isso tudo toca muito a gente e sua música tem um ritmo fascinante”. O espetáculo começa com música brasileira, Senhoras do Amazonas, de João Bosco, e termina com a cubana Drume Negrita, de Ernesto Grenet.

Pureza na mistura

São acompanhados por Nelson Faria (guitarra), Ney Conceição (baixo) e Kiko Freitas (bateria), que há muito tocam com João Bosco. Em todo o repertório pode-se perceber a presença das duas culturas. Conhecidas músicas da bossa nova como Desafinado, de João Gilberto, ou mesmo Fotografia, de Tom Jobim, ganham um toque cubano, conferido pelo piano de Gonzalo.

“As duas culturas têm suas origens na mistura. A nossa pureza é a mistura e queremos experimentar um repertório para que Cuba e Brasil possam se fundir numa ambiência internacional com outros ritmos que também gostamos, como o jazz”, explica João Bosco.

Durante duas horas, sem pausa, o público acompanhou em Basiléia os caminhos musicais traçados pelos dois artistas. E marcaram o compasso do contagiante ritmo afro-latino com a discrição européia: leves movimentos dos pés ou das cabeças.

swissinfo, Lourdes Sola, Basiléia

25/08/2003 – 02h35

Gonzalo Rubalcaba apresenta-se em Ouro Preto e em São Paulo

CARLOS CALADO
Especial para a Folha de S.Paulo

Paulistas e mineiros terão a chance de apreciar mais uma vez, ao vivo, a música de um dos mais brilhantes instrumentistas de Cuba. O pianista e compositor Gonzalo Rubalcaba, 40, vai se apresentar dias 30 e 31, pela Mostra Sesc de Artes, em São Paulo. Depois encerra a primeira noite do Tudo É Jazz – Festival Internacional de Jazz de Ouro Preto, que acontece de 4 a 6 de setembro.

Falando à Folha por telefone da Flórida (EUA), onde vive, Rubalcaba diz que não se lembra de quantas vezes já tocou no Brasil. Desde 1991, quando estreou em São Paulo à frente do Grupo Proyecto, participou de festivais de jazz, como dos extintos Heineken Concerts e Free Jazz, além de tocar em algumas casas de shows. Três anos atrás, na última temporada paulista, firmou no palco parceria com os brasileiros João Bosco e Ivan Lins.

“Para mim, assim como para outros artistas, o mercado musical brasileiro é um dos mais difíceis no mundo. Não porque falte sensibilidade aos brasileiros, mas porque eles são muito exigentes. Essa exigência se explica pelo nível muito alto da criação brasileira. Por isso, tocar no Brasil é sempre um desafio, mas um desafio muito saboroso”, diz o pianista cubano.

Lirismo

Introduzido na cena internacional do jazz por ninguém menos que o norte-americano Dizzy Gillespie, em 1985, Rubalcaba despontou rapidamente como novo talento desse gênero.

Filho do pianista Guilhermo Rubalcaba, forjou um estilo bastante pessoal e lírico, que mescla influências de mestres do jazz, como Thelonious Monk, Keith Jarrett e Bill Evans, com a rica tradição musical de Cuba.

Além do jazz, a música brasileira também tem um lugar especial entre as fontes sonoras de Gonzalo Rubalcaba.

“Há muitos elementos comuns na música de Cuba e do Brasil, não só em termos de forma, mas também a atitude dos brasileiros, seu caráter e sua personalidade. É muito bonito ver que, apesar de tanta distância geográfica, há muitos valores e códigos dentro de nossas tradições que se relacionam”, analisa.

Essas afinidades, segundo o pianista, facilitam seu diálogo musical com o Brasil.

“Quando toco com João Bosco, com Ivan Lins ou outros brasileiros, eu não preciso usar códigos da música brasileira. Tocando somente com a experiência da música cubana, sinto que elas se unificam da melhor forma. Embora se acredite, mundialmente, que a música cubana é 90% ritmo, eu penso que há um erro nessa idéia. O cubano também é muito romântico, é muito melódico –fatores esses que também determinam a música brasileira”, diz.

Desta vez, tanto em São Paulo como em Ouro Preto, Rubalcaba vai exibir seu conhecido talento de solista. Somente nos shows da Mostra Sesc de Artes contará com a participação especial da cantora carioca Leny Andrade.

“Não me recordo de ter tocado com ela, mas já nos encontramos em vários países. Além do grande respeito musical que tenho por Leny, sinto um carinho incrível por ela. As ligações afetivas sempre ajudam muito a que nos entreguemos mais na música”, diz o pianista.

Outra cantora brasileira elogiada pelo instrumentista cubano é a paulista Luciana Souza, que também faz parte da programação da mostra do Sesc e do festival de Ouro Preto. “Luciana tem um enorme talento. É uma artista batalhadora, com um trabalho bastante positivo e profundo”, avaliza Rubalcaba.

Quanto ao repertório de suas apresentações, o pianista cubano é mais evasivo.

“Para mim é sempre difícil antecipar o programa de meus concertos”, diz, observando que, apesar de estar atualmente mais concentrado no repertório de seu último disco (“Straight Ahead”, de 2002, que inclui composições próprias e releituras de clássicos do jazz), nem sempre o toca.

“Só quando estou no palco, sentindo a energia da sala e da platéia, é que eu realmente decido o que vou fazer”, afirma Rubalcaba.

Carlos Calado é crítico de música e autor de “O Jazz como Espetáculo”, entre outros livros

Pianista cubano Gonzalo Rubalcaba toca na Sala SP 07 de abril de 2010

Projeto Guri reúne seu coral com o músico e a banda Mantiqueira em encontro inédito em São Paulo

Roger Marzochi – Agência Estado

“Eu sempre digo que a vida é uma ilusão. Quando ela morre ou desaparece, tudo morre.” A frase do pianista cubano Gonzalo Rubalcaba, em entrevista à Agência Estado, por telefone, revela o desafio de estudantes de música em transformar sonhos em realidade e o papel da arte na sociedade. O músico veio ao Brasil a convite do Projeto Guri para realizar na Sala São Paulo, às 21 horas, um encontro inédito com a Banda Mantiqueira e o coral dos meninos do projeto, a fim de divulgar o novo programa da entidade, que visa financiar os estudos de ex-alunos que optaram pela música como profissão. A “ilusão” do menino que respirava música em sua própria casa, por onde circulavam Frank Emilio, Peruchin, Felipe Dulzaides, que visitavam seu pai, o pianista Guillermo Rubalcaba, levou-o primeiro à bateria e, depois, ao piano, com o qual chegou a tocar com Dizzy Gillespie e a vencer até um Grammy de Jazz Latino com o disco “Supernova” escolhido como o melhor em 2002. Mas em seu último disco, “Avatar” (2008), ele revela outro importante motor rítmico da sua arte. “O que se passa em nível local, nacional e além da fronteira? Quais são os ares que estão soprando nesse momento na gente que trata de reorganizar o passado, a tradição?”

Ele também vai fundo na tradição musical cubana, dando-a novos arranjos e enxergando “portas” e “janelas” para expandi-las, tem também outra preocupação da relação entre o “antigo”, o “velho” e o “atual”. Além dos “ares” da arte, no fundo, ele também fala em sua música instrumental de política. Mudou-se de Cuba em 1992 para Santo Domingo, e depois, em 1996, para os Estados Unidos. Ele não gosta de falar sobre a situação em Cuba, mas afirma: “o fato de viver fora de Cuba explica muita coisa.”

Qual o significado desse show para você, uma vez que é uma iniciativa do Projeto Guri para divulgar o novo programa para dar suporte financeiro a seus ex-alunos?

Tem um significado nobre. E, também, de muita esperança e muita ilusão. E eu estou sempre disponível para qualquer tipo de evento que estenda a mão ao talento que está para se formar. Por outro lado, vir ao Brasil uma vez mais e tocar com uma banda como essa (Mantiqueira), me dá a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre a música brasileira. E eu penso que fazer isso pessoalmente, terá uma transcendência muito maior que ouvir um disco. A Alessandra (Alessandra Costa, diretora executiva da Associação Amigos do Projeto Guri) que pensou nesse evento é uma pessoa muito afortunada por tomar essa iniciativa.

O que o levou até seu último trabalho, “Avatar” (2008)?

“Avatar” é olhar ao redor. O que está acontecendo? O que existe? Primeiro o contexto mais imediato do que se está vivendo. Depois, o que se passa em nível local, nacional e até além da fronteira? Quais são os ares que estão soprando nesse momento na gente que trata de reorganizar o passado, a tradição? Esse é o primeiro ponto. Aí descobri que tem uma série de jovens que estão conectados com uma mesma visão sobre como fazer música. Falo de jovens com 10 a 15 anos menos que eu, que começam a definir outras tendências de se projetar musicalmente. E, tudo isso, em um contexto muito agitado como é Nova York, com uma forte convivência cultural formada por americanos nativos tratando de preservar sua memória, os latino-americanos chegando, assim como os europeus e asiáticos. Essa geração da qual estou falando, no grupo de gente de Avatar é, até certo ponto, representativo de um coletivo tanto americano como latino, como cubanos, que tem a mesma aspiração: a integração.

Há obviamente uma questão política dos ventos que sopram nesse processo? Qual a opinião sua com relação a Cuba? É algo que você gosta de falar, ou você diz isso em sua música?

Está dentro da música. Mas o fato de viver fora de Cuba explica muita coisa. Isso vale para qualquer cidadão do mundo. O fato de deixar sua terra, deixar suas coisas, sua história para trás, e se aventurar a buscar um espaço fora do teu lugar, de competir fora do seu lugar. O fato de encontrar tribuna, cenários e estruturas fora do contexto já fala por si só.

Percebi que você não gosta de falar sobre isso.

Nunca o faço. Se faço, digo de maneira respeitosa. Da forma que não esteja fazendo uma luta a quem pensa diferente. Pelo contrário. O mais importante é escutar todos os lados. O mais importante é somar todas as opiniões. E essa soma é o sinal que se pode dar para uma opinião balanceada sobre Cuba ou sobre qualquer outro tema. Cada setor da sociedade sabe em que medida dizer a realidade que está vivendo. Em termos gerais, Cuba precisa do mesmo espírito da Revolução de 59. O que quero dizer com isso? Creio que há muito tempo a chamada Revolução acabou.

Sobre o show, será a primeira vez que você tocará com a Mantiqueira?

Sim.

Qual será o repertório?

Será basicamente brasileiro, com músicas de João Bosco, cuja obra eu conheço bastante. Terá as obras originais da orquestra também. Vou fazer alguma coisa sólo, vou tentar colocar duas peças de origem cubana tradicionais, com novos arranjos. Mas o som será, basicamente, muito brasileiro.

Todas as músicas tradicionais cubanas as quais você vem preparando arranjos e a base rítmica cubana têm essa transcendência também?

Tenho um critério sobre o antigo, que não é necessariamente o velho. O antigo nunca vai criar resistência a permanecer como parte do atual. Porque o antigo contém bases sólidas que determinam, ou determinaram, a atualidade. Se falarmos do velho, falaremos de coisas que serviram em algum momento, mas morreram, caducaram. E desapareceram porque não encontram função na atualidade. O antigo já mantém indicando um caminho cheio de valores e posições que podem conviver ou servir de estímulo para o que se faz na atualidade. Não estou dizendo que se deve repetir o antigo. Seria um erro.

No show, você comentou que pretende tocar duas músicas tradicionais cubanas. Quais são elas?

Cuba é muito rica em repertório. Tem muitos estilos. Mas me chama muito a atenção a época da Trova Tradicional, a Trova Antiga. Nessa época, se punha muito interesse num balanço entre a poesia, a função da harmonia e o motor rítmico. Havia uma integração, a música surgia como um todo, tanto no conceito métrico quanto harmônico, como uma ferramenta dramática para dizer a história por meio da poesia. Essa época foi extremamente importante para a música cubana. Estou falando de um gênero que contém tudo, letra, música, formato instrumental. Havia um pensamento virtuoso de como dizer a música, como dizê-la, como estruturá-la. Um tema muito significativo dessa época é a música Longina, uma música chave do período. Longina era mulher, supostamente pelo que diz a letra, voluptuosa com uma série de atributos tremendos. Mas era a capacidade que tinha o autor para descrever o que via, sem cair em nada banal, comum. E sim, a partir da realidade, tomava-se um voo de inspiração tão alto esses senhores quando narravam o que viviam que é o faz dessa uma obra permanente.

E no show você pretende tocar essa música?

retendo tocá-la porque tem muitas portas que se podem abrir. Portas e janelas para encontrar um modo atual de projetá-la. É uma proposta que segue dando oportunidades para trabalhar. Essa é a razão de ligar-me a ela, e minha possibilidade como músico. Quando encontro essa possibilidade, com um respeito tremendo com a música original. Mas essa possibilidade me toma muito tempo. Eu creio que seria infeliz de fazê-la exatamente como quando a criaram. Para homenageá-la tem que se encontrar um cenário apropriado. Onde está o ponto em que a música permite a troca ou a expansão? Para mim, é muito difícil fazer isso. Eu busco documentos sobre a música, a estudo, até me convencer de uma forma respeitosa.

Return top