Codes – Ignácio Beroa

Nascido em Havana – Cuba, Ignácio Beroa seguiu o mesmo caminho de grandes músicos como Tito Puentes, Arturo Sandoval, Paquito de Rivera, Gonzalo Rubalcaba e Horácio Hernandes, que se mudaram para a América em busca de melhores oportunidades, contribuindo, dessa forma, para essa deliciosa mistura que se faz entre a música cubana, ritmos afro, o jazz tradicional e o fusion.

Em Matrix, elementos rítmicos da santeria, culto afro cubano são mesclados a um solo espetacular de Beroa, que lembra o virtuosismo de Dave Weckl, Antonio Sanches, Horácio El Negro Hernandes e os novos bateristas que vêm mantendo essa linhagem de músicos performáticos de qualidade.

Na faixa Woody N’You, ouvimos outro grande exemplo dessa mistura que depois descamba para um belo improviso de piano de Gonzalo e do saxofonista David Sanches, em um jazz tradicional seguido do complexo solo de Beroa. Ele retorna ao início do tema mesclando a bateria às percussões afro cubanas de Giovanni Hidalgo, tocando convenções quase inimagináveis.

No repertório do álbum Codes ainda constam dois grandes clássicos da música brasileira: Partido Alto, do longevo grupo Azimuth, e Inútil Paisagem, do mestre Antonio Carlos Brasileiro Jobim e Aloysio de Oliveira, provando que a música brasileira tem o seu lugar de destaque entre os nomes de peso da música instrumental.

Os músicos cubanos ocuparam um merecido espaço no mercado mundial de shows e gravações ao nos mostrar, além de técnica impecável no domínio dos seus instrumentos, que tudo é possível em matéria de música.

Imperdível.