Festival de Jazz traz a Luanda elenco de luxo

 

Depois de alguma ansiedade, o povo do jazz já sabe quais são as estrelas que vão brilhar nas noites luandenses nos dias 29, 30 e 31 de Julho durante o mais ambicioso Festival de Jazz organizado no país.
Num dos espaços mais simpáticos da Ilha de Luanda, a direcção do Luanda International Jazz Festival realizou na passada terça-feira uma conferência de imprensa com uma organização irrepreensível, para anunciar, em clima de maré alta, os nomes dos músicos, cantores e bandas confirmados para esta terceira edição.
A Banda Maravilha, Emanuel Kanda e Kizua Gourgel, os guitarristas Yami e Simons Massini são os representantes de Angola. A cantora Mayra Andrade, de Cabo Verde, o senegalês Ismael Lo e o músico/cantor português Rui Veloso são igualmente presenças confirmadas. Da África do Sul há que destacar alguns nomes e agrupamentos sonantes: Liquideep, Black Cofee, Jonathan Butler e a incontornável Sibongile Khumalo.
O saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça e a cantora italiana Roberta Gambarini também vão fazer ouvir as suas vozes no Atlântico.
De Cuba, onde desde os anos 40 do século passado o Jazz e as músicas latino-americanas vivem um intenso e frutífero relacionamento musical vem o genial pianista Gonzalo Rubalcaba, para realçar a mais sólida formação de Jazz desde sempre – o trio (piano, contrabaixo e bateria). Não precisam de ninguém e toda a gente necessita deles, como disse exemplarmente o poeta francês Jean Wagner. A arte do trio.
O modelo criado em 1939 pelos Swingsters de Nat King Cole com o guitarrista Oscar Moore e o contrabaixista Wesley Prince e as fórmulas sugeridas por Ahmad Jamal e Bill Evans nos anos 50 para trios de piano, contrabaixo e bateria e seguidas por muitos pianistas de renome (Oscar Peterson, Errol Garner, Thelonius Monk, Phineas Newborn Jr., Red Garland, Bud Powell, entre outros) estão longe de estar esgotados. O inquieto e inventivo pianista cubano Gonzalo Rubalcaba, que se tem multiplicado em vários projectos como líder ou acompanhante, sendo já um nome incontornável do grande Jazz da actualidade, vai seguramente proporcionar-nos momentos encantadores com a sua arte.  A sua presença em Luanda vai certamente confirmar a completa transformação operada, ao longo dos últimos anos, no seu estilo pessoal, de início muito subjugado pelo virtuosismo impressionante de que fazia alarde no início da sua carreira.
Agora, depois dos seus concertos a que tive o privilégio de assistir nos Estados Unidos no Montrey Jazz Festival, com Dave Holland (contrabaixo), Chris Potter (sax tenor) e Eric Harland (bateria) em 2007 e mais recentemente em Portugal, no Guimarães Jazz, Gonzalito, como é carinhosamente chamado pelos seus compatriotas, está muito mais contido, incomparavelmente mais “musical” e menos tecnicista nas suas divagações improvisadas, para além de se confirmar como um compositor inspirado, de mão cheia, e um arranjador completo e brilhante, dando-nos a ouvir um neo-bop alatinado, ameríndio, muito estimulante.

Representante importante da absorvente corrente afro-cubana do Jazz actual, Rubalcaba e seus companheiros afastam-se dos exotismos em que muitos músicos por vezes caem, propondo-nos um jazz vibrante, de extrema seriedade e, ao mesmo tempo, caloroso e emotivo. Os Estados Unidos, onde o Jazz nasceu entre finais do século XIX e inícios do século XX, têm como representantes o grupo Spyro Gyra, que pratica um Jazz que Miles iniciou na década de 60, o chamado jazz fusion, explorando novas sonoridades, novas estruturas semânticas, cruzando caminhos com o rock e certa pop-music de vangurda. Uma música iluminada, cheia de cintilações rápidas, dinâmicas e fulgurantes.
E para além da encantadora Dee Dee Bridgewater, que provavelmente nos vai brindar com o seu mais recente projecto, dedicado à inesquecível Billie Holiday (“To Billie with Love”), na medida em que vem acompanhada do pianista Edsel Gomez, um grande músico que há muitos anos acompanha a cantora noutros projectos, excelente arranjador e o responsável pela direcção musical deste projecto dedicado a Billie, vamos ter ainda a presença de Macy Gray e do trompetista Roy Hargrove, que pertence à geração de músicos pós-Winton Marsalis, que aproveitou a onda do revivalismo do Bop e as credenciais de grande tecnicista para iniciar uma carreira de sucesso. Hargrove tem gravado algumas experiências no âmbito do chamado Jazz latino e, à semelhança de outros “jazzmen” da sua geração, enveredou por explorações rítmicas mais próximas da juventude afro-americana: o soul jazz, o hip-hop e outos, no seu projecto eléctrico RH Factor. Roy Hargrove, que vai tocar em quinteto, vai brindar-nos ainda com a frescura e amplitude de uma voz feminina convidada – a italiana Roberta Gambarini, uma das mais talentosas cantoras europeias do momento.

 

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