João Bosco e Gonzalo Rubalcaba: música e alegria (foto: www.puntolatino.ch) (www.puntolatino.ch)

Cuba e Brasil nas mãos de Gonzalo Rubalcaba e João Bosco

Músicas brasileiras com um toque cubano. E músicas cubanas com um toque brasileiro. Assim é o show de dois grandes músicos: Gonzalo Rubalcaba e João Bosco, que acabam de passar pela Suíça.

“É um encontro porque as culturas se fundem, mas não se sobrepõem”, define João Bosco. Nas apresentações que fazem pela Europa, eles reservaram dois dias à Suíça – Basiléia e Zurique. Até dia 12 de novembro, passarão por Espanha, Portugal, Áustria e Alemanha.

Homenagem a Moacir Santos

De acordo com o músico brasileiro, os dois são exigentes e querem gravar um repertório capaz de mostrar a musicalidade dos dois países – não apenas selecionar algumas composições. “Acho que no próximo ano poderemos produzir um disco com esse trabalho”, diz o pianista Gonzalo Rubalcaba.
A segunda música do show foi uma espécie de homenagem ao maestro pernambucano Moacir Santos, falecido recentemente, com a apresentação de April Child. “Queria muito que estivesse vivo para que ouvisse essa interpretação”, explica João Bosco. Para ele, os dois puderam brincar com as divisões rítmicas insólitas criadas por Santos. “Foi um maestro negro, escreveu como arranjador negro e compositor negro. Isso tudo toca muito a gente e sua música tem um ritmo fascinante”. O espetáculo começa com música brasileira, Senhoras do Amazonas, de João Bosco, e termina com a cubana Drume Negrita, de Ernesto Grenet.

Pureza na mistura

São acompanhados por Nelson Faria (guitarra), Ney Conceição (baixo) e Kiko Freitas (bateria), que há muito tocam com João Bosco. Em todo o repertório pode-se perceber a presença das duas culturas. Conhecidas músicas da bossa nova como Desafinado, de João Gilberto, ou mesmo Fotografia, de Tom Jobim, ganham um toque cubano, conferido pelo piano de Gonzalo.

“As duas culturas têm suas origens na mistura. A nossa pureza é a mistura e queremos experimentar um repertório para que Cuba e Brasil possam se fundir numa ambiência internacional com outros ritmos que também gostamos, como o jazz”, explica João Bosco.

Durante duas horas, sem pausa, o público acompanhou em Basiléia os caminhos musicais traçados pelos dois artistas. E marcaram o compasso do contagiante ritmo afro-latino com a discrição européia: leves movimentos dos pés ou das cabeças.

swissinfo, Lourdes Sola, Basiléia